terça-feira, 31 de janeiro de 2012 0 comentários

Capítulo 23

Depois de me encontrar com Júlia, era a vez de ir falar com Gustavo. Estava meio apreensiva, pois não sabia o certo o que ia dizer e esperava mesmo que nosso encontro não terminasse em mais um beijo e que principalmente não terminasse mais uma vez em confusão como do dia anterior. Era estranho como meus sentimentos por ele ainda estavam confusos, mas conseguia pensar mais claramente sobre nós dois e que quem sabe seria bom dar uma chance a ele. Vai ver a má impressão que fiquei da noite da festa em que nos conhecemos teria acontecido porque não queria nem ter ido a festa e muito menos gostaria que um garoto estranho amigo de Marcelo se aproximasse de mim. Na verdade eu não gostaria que nenhum garoto se aproximasse de mim. Desde minha primeira desilusão amorosa fiquei meio assim, me fechei para o que chamam de “amor” como menciono para mim sempre, mas aquela situação era diferente. Gustavo havia começado se mostrando um garoto irritante, manipulador, mas após o tempo se mostrou uma pessoa que se preocupa comigo e que quer o meu bem. A atitude de enfrentar meu pai contou muitos pontos a favor para ele. É claro que muita coisa em Gustavo ainda me desagradava, mas estava pensando em na nossa conversa dizer tudo o que pensava para que quem sabe começássemos uma história.Já que estava mudando algumas escolhas em minha vida,achei interessante experimentar ter um namorado.Não era da forma que esperei e nem como eu desejava mas gostava da companhia de Gustavo e ao meu ver desde o almoço de domingo misteriosamente ele tirou a má impressão que causou em meu pai quando o conheceu e talvez seria mais fácil de meu pai aceitar nosso relacionamento.Mas decidi dar um passo de cada vez,não programar tanto as coisas na minha cabeça até porque quando se planeja muito nada ocorre da maneira prevista.Confesso que estava empolgada com a conversa e o nosso possível futuro namoro mas não criei muita expectativa e para começar caso chegássemos a namorar acho que seria melhor que fosse secreto até eu me acostumar com a nova ideia. E eu já estava ficando totalmente paranóica como sempre imaginando Gustavo e eu namorando quando na verdade só havíamos nos beijado duas vezes e nem sabíamos um do outro direito. Havia marcado com ele de irmos na sorveteria ás 14:00 e ele tinha acabado de me mandar uma mensagem de confirmação quando encontrei próximo ao local combinado a Mari e Bruno que havia conhecido no shop através de Júlia.Era bom revê-los,havia gostado bastante deles e de todos que estavam presentes no dia.
- Sophia!Que surpresa boa, eu e Bruno até perguntamos para Júlia sobre você. Está sumida, temos que nos ver mais vezes!
- É verdade, temos que marcar de sair de novo antes que as férias terminem. Eu e Mari estamos indo lá no shop na loja de instrumentos musicais para que eu compre cordas novas para meu violão que meu primo pequeno fez o favor de arrebentar. Quer ir com a gente?
- Ah gente, adoraria mesmo, mas eu já marquei com alguém aqui daqui a pouco. Mas vamos marcar de sair sim. Adorei conhecer a galera. Mandem um beijo para todos e ah depois quero ver a música que você compôs e quero ver a Mari cantando tudo bem?
- Então fica combinado assim. Marcarei com a Júlia e pedirei para ela avisar para você. E claro que você vai escutar a música e vai dar sua opinião sincera ta bem? Até depois, Sophia. Prazer te rever.
Encontrar com os dois me fez muito bem. Na verdade me encontrar com Júlia e como todos meus novos amigos me deixava feliz, só de conversar um pouco já me animava bastante. Foi aí que eu percebi mesmo o quanto ter amigos bacanas é importante. Aquele pequeno diálogo me tranqüilizou para a futura conversa com Gustavo. Horário marcado e ele ainda não havia chegado. Com certeza estava atrasado só para me irritar. Lá vinha a minha estranha paranóia demais. Cinco minutos depois o avistei vindo em minha direção. Teríamos naquele momento a conversa decisiva.
- E aí Sophia?Como você está. Já está menos nervosa do que no domingo?
- De certa forma sim. Mas é muito ruim ver que minha própria família é indiferente para mim e que eles acreditam mais em minha irmã do que eu. Não é muito comum as pessoas desconfiarem da letra de outra, isso acontece só em filmes, mas na minha vida acontece exatamente o mesmo caso de uma maneira muito mais estranha porque estou falando da minha família, meus pais que não percebem esse detalhe e, aliás, nenhum que envolva a mim a não ser o desempenho escolar.
- Eu sei que essa situação não é normal, mas pensa comigo poderia ser pior. Talvez você nem tivesse uma família...
- Talvez fosse melhor eu nem ter esse tipo de família. Meus pais não me escutam, minha irmã é uma manipuladora que namora com um idiota, meu irmão adora esnobar como é inteligente. Eu não me encaixo ali, o que tenho de bom para mostrar?
- Sophia, para de se menosprezar. Eu sei que as coisas não acontecem da forma que você gostaria, mas você tem que começar a ver como é talentosa. Eu nem li o que estava escrito no caderno, mas para amolecer o coração de Marcelo deve ser incrível porque depois de tudo que ele enfrentou ele se fechou para o mundo. E mais você também é incrível, tem um jeito único, nunca conheci uma garota que mexesse tanto assim comigo. Desde que te vi pela primeira vez você despertou a curiosidade em mim, pois você se destaca entre as demais pelo seu jeito único.
- Como assim? O que Marcelo já enfrentou de tão ruim assim? Isso não justifica o jeito que ele fala comigo sempre e nem o jeito revoltado que ele tem. E eu não sou única do jeito que diz. Você fala isso porque quer que eu seja a próxima que caia nessa sua conversa. Mas amanhã mesmo estarei um pouco diferente do que estou agora.
- Esse é o seu problema. Essa desconfiança de tudo e de todos. Não percebe que isso só faz mal para você? Não posso pensar que você acha que estou enganando você.
Se você mão consegue acreditar em sequer uma palavra que eu digo e principalmente nos meus sentimentos estou perdendo meu tempo aqui conversando com você.
Gustavo disse isso, se levantou e foi embora e não quis nem sequer me escutar e nem responder aos meus gritos dizendo para ele voltar. Como ele poderia ter ficado alterado assim de uma hora para outra?Eu não disse que não acreditava em sequer uma palavra que ele disse, só que estava incerta porque aquilo era novo para mim e não fazia sentido. Mas percebi que não me expressei bem e a nossa conversa foi adiada mais uma vez agora por tempo indeterminado.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012 0 comentários

Capítulo 22

Cheguei na livraria e Júlia estava saindo para o almoço.Como sempre ela estava animada,falante e super curiosa para saber tudo que havia acontecido desde o início.
- Ainda bem que você chegou, estava quase morrendo aqui de tanta curiosidade em saber tudo o que aconteceu desde aquele último dia que a gente se viu. Como assim o nosso plano não deu certo, não tinha como dar algo errado.
- Eu também havia pensado nisso, mas havia esquecido que estávamos lindando com alguém como minha irmã. É claro que ela já previa alguma reação de minha parte e fez a cabeça de Marcelo contra mim dizendo que eu era manipuladora e que queria ter uma vida como a dela.
- Mas isso é um absurdo!Como aquele garoto estúpido pode acreditar nela ao invés de você. A sua letra prova tudo, não tinha o que discutir.
-Acontece que a letra que minha irmã treinou ficou idêntica a minha e com mais a conversinha dela ela pode fazer o garoto acreditar. E o pior que lá em casa não tem nem nossos cadernos antigos escolares e provavelmente ela deu um sumiço em todas as anotações que estavam com a letra dela.
- Essa história é surreal. Se você não estivesse me contando eu não acreditaria. Nunca ouvi falar em alguém que falsificasse a letra de outra pessoa a não ser para fazer assinaturas naqueles filmes de ação, mas isso é um nível psicopata muito grande. Mas seus pais sabem a sua letra Sophia, eles com certeza poderiam ter desmentido essa história.
- Você não conhece minha família Júlia. Eles nunca se importaram com a gente. Para eles somos como espécie de troféus que eles podem apresentar e eu não me pareço nem um pouco com isso. Eles são indiferentes comigo e por isso eu percebi que falar o que pensava nem iria adiantar muito, eu preciso mesmo é ficar “indiferente” para eles. Ontem eles apoiaram mais minha irmã, foi horrível todas aqueles acusações vindo para mim como se eu fosse a mentirosa obcecado dali.Eu não consigo entender onde Letícia pretende chegar com isso.Mas pelo menos descobri de fato que Marcelo leu mesmo o meu caderno que para todos os olhares é de minha irmã.Ainda bem que o Gustavo estava lá,ele me defendeu e disse que acreditava em mim.
- Uau! As coisas entre vocês estão ficando mesmo sérias. Me conta sobre o beijo ou melhor os beijos,os barracos,o pedido de namoro e tudo que você tiver que me contar sobre ele.
Contei toda a história detalhadamente para Júlia, acrescentando meus pensamentos e o que estava sentindo naquele momento. Disse que mais tarde me encontraria com Gustavo e faria uma espécie de desabafo com ele porque mesmo que eu não quisesse com tudo que havia acontecido, estava me sentindo mais próxima dele. Também queria dizer que não queria que a amizade entre ele e Marcelo ficassem abalada por minha causa. Na última vez que tentamos conversar a conversa nem aconteceu e seria bom se essa conversa acontecesse hoje. Júlia me aconselhou e eu me senti melhor, me deu ideias que eu nunca teria pensado sozinha. Ela concordou que eu deveria dar tempo ao tempo e que mais cedo ou mais tarde Marcelo iria cair em si e ver o erro que cometeu. Ela também me disse para procurar Dona Clara, pois ela parecia ser uma senhora muito resolvida e bastante experiente e poderia me ajudar a colocar meus pensamentos em ordem. Mas não era só para isso que eu havia encontrado Júlia naquele horário de almoço.
Contei sobre a necessidade que eu tinha de mudar um pouco visual, porque já que queria que toda aquela mudança em minha vida acontecesse eu deveria começar por mim e que continuar igual eu era não me ajudaria com o progresso nessa ideia.
- Você não precisa mudar nada para que te aceitem Sophia! Que absurdo. As pessoas vão te criticar de qualquer forma e você não pode mudar o que é só para agradá-las e se encaixar no grupo. Não deixarei você cometer essa loucura.
- Eu não estou mudando por ninguém Júlia. Estou mudando por mim,ou melhor, eu nem encaro isso como uma mudança e sim um amadurecimento pessoal.Há muito tempo venho percebido que preciso viver coisas novas,ter uma vida mais tranqüila, que não seja tão conturbada assim. Não quero fazer uma mudança radical, só quero que meu visual tenha um pouco da essência do que eu sou agora, de como me sinto nessa fase de descobertas, de confronto comigo mesma. Você nunca se sentiu assim Júlia?
- Confesso que sei muito bem o que você está sentindo. Porque isso já aconteceu comigo e é por isso que te aconselho a não continuar com esse jeito de pensar porque talvez as mudanças ocorram tão rápido que você nem perceba e quando perceber já vai ser tarde demais e estará irreconhecível.
- Como assim aconteceu com você? Te acho tão cheia de vida,animada, parece que nunca viveu nenhuma situação ruim.
- Agora eu também me considero assim, mas depois de muito tempo é que consegui ver quem eu era realmente. Passei por uma fase de insegurança e necessidade de mudança assim como você está passando. Anos atrás, eu era uma garota tímida, que tinha medo que as pessoas soubessem o que eu pensava,era calada demais, vivia num mundo imaginário que eu havia criado para me esconder do mundo. Uma vez um grupo daquelas garotas populares no qual eu não me encaixava me humilhou na frente de toda a escola para o menino que eu gostava e ele também fez piada de mim. Foi horrível e nesse instante eu decidi que não queria ser como eu era. Só que eu resolvi fazer uma mudança radical, comecei a andar com uma galera estranha, aprontar loucuras e praticamente cometi um roubo grave. Eu já não estava me reconhecendo, a minha família se virou contra mim, dizia que eu era um desgosto. Mesmo com tudo aquilo ainda sentia falta de quem eu era, sentia uma sensação de vazio. Até que em um dia a galera esquisita que eu andava caçou confusão em um bar e chamaram a policia para gente. Minha sorte foi que havia uma policial que viu que eu não era como eles e me aconselhou a mudar enquanto era tempo e me deu um livro que contava uma história de uma garota que não se aceitava e que por isso estava jogando a vida fora. Não gostava de ler, mas aquele livro foi o melhor presente que eu poderia ter ganhado. Vi que tudo que eu havia feito não estava certo. Comecei a tentar enxergar o lado bom da vida e depois de algum tempo me tornei o que sou agora e trabalho aqui em meio aos livros que de certa forma me livraram do mundo da escuridão. Mas a “minha antiga eu” nunca mais consegui encontrar, sei que ela era insegura e tudo mais, mas eu sinto falta dela. Mesmo gostando da minha vida agora e sendo feliz não aconselho que faça isso Sophia, é muito perigoso. Agora você fala que quer mudar um pouco, mais tarde pode estar irreconhecível e talvez não tenha tanta sorte como eu tive.
- Nossa, eu não sei nem o que dizer. Não fazia ideia mesmo. É por isso que dizem que não se podem julgar as pessoas e nem o livro pela capa. Não podia imaginar que você teria vivido algo assim. Obrigada pelo conselho, mas eu preciso mesmo fazer essa pequena mudança e eu te prometo que serei a mesma Sophia de sempre, só que aberta para aprender coisas novas e que não vou me perder por um caminho em que eu não me reconhecerei Agora mais do que nunca minha amiga sei que você é a pessoa mais certa para me ajudar nisso, porque poderá me aconselhar quando perceber que eu possa estar agindo de alguma maneira errada. Concorda em me ajudar? Eu preciso muito disso!
- Está bem Sophia, eu te ajudo, mas já vou te avisando, tenha muito cuidado com isso e com esses seus pensamentos negativos sobre você. Amanhã é meu dia de folga, me encontra na livraria que ajudarei você com isso. Preciso voltar para o trabalho agora, até amanhã!
- E eu ainda preciso me encontrar com Gustavo e mais tarde como você disse verei Dona Clara. Amanhã te conto como foi. Até logo!
- Boa sorte Sophia e pense bem em tudo que eu te falei.


quinta-feira, 26 de janeiro de 2012 0 comentários

Capítulo 21

Aquele final de semana exaustivo e totalmente o oposto do que havia previsto finalmente tinha acabado. Não consegui dormir bem naquela noite, pois não podia acreditar em tudo que teria acontecido. Após os garotos irem embora o clima ficou bem pior entre minha família e eu. Meus pais estão apoiando bem mais Letícia e eu fiquei sendo mesmo a alterada que quer chamar atenção com uma história ridícula que não faz o maior sentido. A verdade é que essa história não faz o menos sentido. Meus próprios pais não me conhecem realmente, nunca notaram minha letra, o namorado da minha irmã é um estúpido que acredita nas mentiras dela e eu nunca em hipótese alguma posso provar que estou certa em algo. Já estava sentindo aquela necessidade de mudança tempos atrás, mas agora esse sentimento havia se tornado mais forte. Mesmo dizendo o que eu pensava as coisas continuavam iguais, ou melhor, elas pioravam e já que eu era tratada com indiferença talvez fosse à hora de buscar um novo estilo, ser indiferente. Peguei meu novo caderno e escrevi a respeito disso. Estava me sentindo presa nos meus pensamentos e atitudes e que se afinal ninguém acredita no que sou e não me dão a menor credibilidade talvez fosse mesmo à hora de tentar algo novo. Mas o que poderia fazer para demonstrar essa nova fase que estava se iniciando em minha vida?Estava contente da maneira que eu era, mas precisava mostrar a todos que eu também poderia me adequar ao que julgam ser atraente. Não deveria me importar com os comentários de Marcelo, mas saber que ele prefere acreditar na verdade fajuta da minha irmã só porque ela se enquadra nos padrões que a sociedade impõe de certa forma me afligiu e só não me chateou mais graças às palavras de Gustavo. Aquele elogio me pareceu sincero, mas infelizmente não são todas as pessoas que pensam como ele. Desde pequena cresci vendo Letícia ser mimada e sempre elogiada por causa de sua aparência e embora sempre digam que isso não é o que importa infelizmente no atual mundo superficial em que vivo importa sim. Escrevendo no novo caderno que representava essa nova Sophia percebi que precisava mesmo mudar algo em mim, como gosto de dizer, me aprimorar. Não que eu devesse seguir rigorosamente a ditadura da moda e me tornar um robô humano como minha irmã, mas precisava me enquadrar a esse padrão caso quisesse mostrar o outro lado e mudá-lo. Estava certo que mudaria algo em meu visual, a mudança não seria radical e aconteceria gradativamente, claro não atropelando minha personalidade e meu estilo de sempre. Falaria com Júlia que tem um visual que acho bem marcante para me ajudar com isso assim que o dia clareasse.
Acordei bem cedo e percebi que já havia uma mensagem de Gustavo em meu celular. Novamente, o garoto me elogiava, me perguntava se eu estava bem e que acima de tudo não deveria dar crédito ao que teria acontecido no almoço e muito menos aos comentários de Letícia, meus pais e Marcelo, inclusive os possíveis futuros. Já ia responder a mensagem agradecendo por estar se importando comigo quando sou surpreendida com outra dele mesmo me perguntando se ele não poderia ler o tal caderno que gerou toda a confusão. Apaguei o meu agradecimento imediatamente e disse que não concordava, pois isso era algo meu, que jamais alguém deveria o ter lido e que isso só havia acontecido graças à intromissão de Letícia e á curiosidade de Marcelo. Por falar em curiosidade não foi preciso ouvir, mas com certeza no dia em que Marcelo veio a minha casa pela primeira vez e subiu com Letícia para ver as supostas fotografias e desenhos ele encontrou o caderno, deve ter elogiado e Letícia se aproveitando disse que a pertencia para criar assunto e conseguir o que queria. Gustavo não ficou contente com minha resposta e me chamou para tomar um sorvete mais tarde, pois ele precisava muito conversar comigo e sentia que eu estava precisando ter essa conversa. E ele acertou, estava muito aflita, mais insegura que nunca, com a auto-estima bem baixa e tudo o que eu queria era desabafar com alguém como ele. É estranho, mas o comportamento atual dele havia apagado aquela imagem que eu tinha dele, claro que Gustavo tinha muitos defeitos que eu não gostava, mas ninguém é perfeito e muito menos eu poderia exigir algo dele. Não era bem como eu pensava, mas depois de muito tempo desde a minha primeira desilusão com o “amor” nunca havia sentido uma coisa tão intensa como estava sentido. Era meio perturbador, um pouco curioso e aquele sentimento e admiração por Gustavo parecia crescer a cada dia. A última vez que me senti assim apesar de não gostar de comentar me deixou uma espécie de cicatriz. Na época foi bem difícil de esquecer e acho que pode ter sido isso que me fez ter tanta desconfiança do garoto no início. Eu era bem mais nova quando tive meu primeiro amor não correspondido que hoje que estou mais madura prefiro chamar como amor platônico ou espécie de aprendizado já que não considero que aquilo tenha sido mesmo amor e sim uma descoberta do que eu poderia ser capaz de sentir por alguém algum dia. Não considerava que estava amando Gustavo, até porque amor vem com o tempo e é muito ridículo em poucos meses pessoas já acharem que amam alguém. Não sou contra quem pensa assim, mas acho que primeiro vem a atração, depois o gostar e querer bem a pessoa e só com o tempo a vontade de estar perto e de ficar próxima a pessoa mais o comprometimento e tolerância em aceitar tanto as qualidades e os defeitos faça o sentimento gostar se transformar de fato em amor.Para isso acontecer teria uma longa estrada a percorrer mas confesso que atração depois de tudo que acontecera estava sentindo por Gustavo.Ficar ali filosofando entre meus próximos pensamentos não me levaria a lugar nenhum e eu precisava era agir e me tornar “indiferente” como estava pensando.Peguei meu celular e respondi Gustavo concordando em o encontrar mais tarde para tomar um sorvete e conversar.Seria bom ouvir tudo o que ele pensa e também falar tudo que eu penso por mais desorganizado que meus pensamentos sobre ele e todas as outras coisas estejam.Tomei meu café-da-manhã sozinha.Meus pais haviam saído para trabalhar,Luís estava acertando os detalhes da faculdade naquela manhã e minha irmã tinha sessão de fotos na agência.Gostei de não ter encontrado ninguém em casa,pois talvez ocorresse algum confronto e isso atrasaria o compromisso que tinha acertado comigo.Saí para encontro de Júlia.Conversaríamos na sua hora de almoço,com certeza não daria tempo para explicar tudo,mas conseguiria contar da decisão que enfim teria tomado e sobre os últimos acontecimentos especialmente do almoço do domingo conturbado.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012 0 comentários

Capítulo 20

A situação fugiu totalmente do meu controle. Estava certo de que ao executar o plano que bolei com Júlia iria desmascarar minha irmã e conseguiria mostrar para minha família que ela não era totalmente aquilo que pensavam. Mas certamente subestimei a inteligência da garota. Claro que ela também pensou como Júlia: como fazer alguém acreditar o tempo todo que o caderno me pertence se nem ao menos tenho a letra correspondente? E imediatamente providenciou de imitar um pouco meu jeito de agir e treinou a minha letra para que não desconfiassem, não era tarefa difícil para Letícia. Toda vida ela sempre teve agilidade com tarefas de artes e imitar uma caligrafia não seria dificuldade se empenhasse naquilo, e da letra como a minha ela precisava. Não é qualquer um que consegue esse feito, mas infelizmente minha irmã além de fingir ser quem não era vinha com essa habilidade no pacote. O fato é que com aquela confusão toda descobri que Gustavo não havia lido nada do caderno, que desde início era Marcelo que era realmente muito idiota, pois havia acreditado na versão da minha irmã (que por sinal deve ter sido muito bem pensada) e agora estava ali me acusando na frente de todos para minha infelicidade:
- Sério Sophia você já passou do limite. Eu sei que deve ser difícil pra você ter uma irmã tão incrível como Letícia, mas com certeza esse seu comportamento além de ser infantil é inadequado.
Marcelo me disse isso eu não sabia o que fazer. Demorei tanto tempo para finalmente fazer aquilo, esperei tanto outra reação das pessoas ali e não pensei no mínimo detalhe de que para ele ter acreditado nisso alguma coisa Letícia teria feito. Começava a pensar que minha irmã era psicopata ou tinha uma doença séria. Seria mesmo preciso falsificar letra, mudar de comportamento, roubar meu caderno tudo para conquistar um simples vizinho sendo que ela poderia ter qualquer que quisesse? Isso não fazia sentido, a única explicação era que Marcelo teria a ignorado e como Letícia não aceita rejeição achou nessa forma uma resposta para eliminar aquele problema e ter Marcelo como mais um troféu na sua coleção. Outra pergunta que eu tinha era de até quando ela continuaria com isso. Porque isso sim havia passado do limite. A parte ruim disso é que meu pai voltou a se irritar comigo, por ter atrapalhado o almoço de domingo e ter retomado com as acusações contra minha irmã. Mas mais uma vez estava disposta a falar tudo, agora com Gustavo e Marcelo presentes, afinal já não tinha mais nada a perder.
- Não posso acreditar que você começou com essa história de novo. Essa semana já não foi o bastante para refletir? Presumo que não quer mais uma semana de reflexão não é mesmo?
- Não pai, eu não terei outra semana de reflexão até porque reflexão espero que façam agora. Sei que é estranho ouvir isso Marcelo, mas para sua tristeza sua namorada não é o que diz ser e conheço ela muito melhor e há muito mais tempo que você.Será que não é capaz de perceber o jeito forçado que ela conversa determinados assuntos com você especialmente os relacionados a literatura? Não enxerga que ela é capaz de tudo quando se sente rejeitada? Esse caderno é meu desde que sou criança e posso te dizer tudo que está escrito aí até de trás para frente. Quando meu caderno sumiu fiquei muito desesperada e aos poucos fui ligando as peças desse quebra cabeça e quando encontrei a peça final que era uma folha do meu caderno avulsa próxima ao quarto de Letícia não tive dúvidas que ela estava por trás do sumiço. Eu perguntei e ela assumiu ser isso mesmo, se soubesse que duvidariam tanta da minha palavra deveria ter gravado. Mas afinal o que adiantaria não é mesmo? Na discussão de semana passada minha família não me compreendeu, nunca foram capazes de perceber que sempre ando com esse caderno e o pior de tudo a letra da própria filha. Que tipo de família é essa?
- Você está se tornado muito rebelde e essas acusações a nós não são cabíveis. Eu e sua mãe trabalhamos duro para garantir essa boa vida que você leva e não é capaz de reconhecer isso?
- Me poupe desse discurso, posso ser rebelde, ache o que quiser. Mas cansei disso tudo, quero ter meu próprio espaço e minha irmã falsificar minha própria letra pra mim foi à gota d’água!
- Letícia não falsificou sua letra. Ela me alertou que cedo ou mais tarde você teria esse tipo de comportamento e até contaria que o caderno a acompanhou sempre quando na verdade cresceu vendo sua irmã escrevendo e agora quer imitar. E ninguém seria capaz, ou melhor, não conseguiria imitar uma letra tão perfeitamente assim...
- Ah Marcelo como você é ingênuo, Letícia é capaz de tudo e sempre teve habilidade com desenhos e com caligrafia não poderia ser diferente. Com horas de treino se consegue bons resultados em tudo que se deseja. Não percebe que essa história tem mais furos que um queijo suíço? É só você procurar por aí, se tiver sorte de achar porque garanto que ela já se livrou de tudo alguma anotação com a letra verdadeira dela. Ah não esqueci você está tão cego que diria caso encontrasse que a letra de Letícia é a minha letra na verdade. Você não quer enxergar a verdade porque não suporta a ideia de que eu “a garota estranha com menos atrativos” que conhece seja por quem você sentiu algum sentimento estranho. É bem mais fácil acreditar na verdade dita por uma modelo, com boa aparência, aparentemente simpática. Esse é o mundo superficial que vivemos...
- Sophia para mim você tem um grave problema de auto-estima. Você precisa aceitar que nasceu assim e conviver com isso não querer ter a vida de sua irmã...
- Não Marcelo, escute você. Não tenho problemas de auto-estima, pelo contrário nunca fingi ser quem não sou como forma de esconder minhas frustrações. Você sim é tomado por esse sentimento, tanto que se refugia com essa personalidade de “não ligo para nada e ninguém apenas para minha avó e Letícia”.Nem Gustavo que é seu melhor amigo você trata com bom humor,muito menos sua mãe.Como você explica isso? E não quero mais falar nada com você, fiz minha parte, te alertei sobre a verdade, mas você preferiu acreditar na verdade mais bonita para seus olhos. De certa forma é um alívio para mim e tirei um peso da minha consciência porque de fato você é o garoto mais sem graça e desprezível que conheço. A verdade é essa, acredite quem quiser.
- Sophia, minha irmã. Pare de agir assim, acusar as pessoas, agredir. Marcelo pode ser um pouco rude com as palavras, mas acredite você é linda do seu jeito, você é especial não precisa disso!
- Me poupe desse discurso ridículo e falo Letícia, você já conseguiu o que queria. Seja minha eu aprimorada então. Uma hora pessoas irão perceber o engano.
- Não fale assim com minha namorada. Você não tem o direito...
- Chega Marcelo. Realmente você está cego. Como seu melhor amigo digo que isso já foi longe demais. A verdade está na sua cara e você não quer enxergar. E sim Sophia você é incrível, não imagina o quanto é linda, engraçada e que se quiser pode mudar o mundo com seus pensamentos. Sim Sophia eu acredito em você!
Mais uma vez Gustavo estava do meu lado, me apoiando, me elogiando. Ainda não acreditava muito, mas de certa forma isso ajudou muito a aliviar a tensão naquela discussão.
- Ás vezes me pergunto se você ainda é meu melhor amigo Gustavo.Agora que está apaixonado por Sophia acho difícil acreditar e confiar em você.
- Não precisa falar mais nada Gustavo, eu já estou bem. Os dois se merecem. Logo ele cairá em si.Agora se me dão licença...
- Você não vai sair assim do nada como fez da outra vez mocinha. Se fizer isso as coisas piorarão muito pra você – Disse minha mãe.
Se eu saísse com certeza ficaria trancada pelo resto das férias, mas mesmo assim estava disposta a isso. Quando já estava saindo Gustavo me segurou e me disse para ficar e que se eu agisse com calma tudo iria se ajeitar. Por incrível que pareça após isso resolvi continuar ali e o almoço terminou em silêncio com Letícia e Marcelo mais unidos do que nunca e minha indiferença pelo garoto muito maior. A amizade de Gustavo e Marcelo estava abalada mas era bom saber que Gustavo acreditava em mim.Mal podia esperar para contar tudo para Júlia,ela com certeza irá me ajudar a enfrentar a nova fase dessa “novela”.
  


sábado, 21 de janeiro de 2012 1 comentários

Capítulo 19

Como não havia saído de casa nos últimos dias, só me comuniquei com Júlia através do telefone depois que ela saía do trabalho na livraria para acertar os detalhes de como faria para mostrar minha letra para Marcelo. Estava mesmo disposta a fazer isso e mesmo que a verdade não fosse de fato essa isso aliviaria um pouco as dúvidas que passavam na minha cabeça que na verdade não era só essa. Desde o episódio do beijo e da briga mais o pedido de namoro inesperado de Gustavo fiquei pensando em como seria daqui para frente. Mesmo com a reprovação de meu pai sabia que aquilo ia continuar. Não sabia ao certo o que eu sentia por ele, mas enfrentar meu pai fez com que ele subisse no meu conceito e suas mensagens diárias me acalmando e dizendo que eu não podia ser uma pessoa melhor me deixa bem comigo mesmo sabendo que isso é uma daquelas mentiras que pessoas “apaixonadas” dizem para cativar quem estão afim. Eu ainda não acreditava muito no interesse de Gustavo por mim, mas acreditava bem mais do que antes. É legal saber que tem alguém que gosta de você ou que ao menos finge. Nunca foi assim comigo, sempre via isso acontecer com Letícia, vai ver é por isso que reajo assim. Depois que atendi a porta Marcelo beijou minha irmã e eles ficaram sentados no sofá assistindo TV enquanto o almoço não ficava pronto e
Eu estava mais apreensiva, pois o momento tão esperado de “Máscaras que caem” estava realmente chegando. Adorei esse título improvisado que Júlia deu a toda essa confusão. A máscara que mais queria ver cair era de Letícia naquela tarde. Fui no meu quarto desci com o caderno antigo e o novo e comecei a escrever nele algo referente ao que ia acontecer, como pessoas fingem ser o que não são para atrair atenção, enfim, algo que fosse útil para aquela ocasião. Sentei o mais perto que consegui de Marcelo e Letícia que logo já foi dizendo:
- Porque pegou o meu caderno? Ainda por cima está querendo imitá-lo. Não acho legal isso de sua parte Sophia. Por que não tenta criar algo seu, original ao invés de me copiar?
 Dei uma gargalhada muito grande. A minha vontade era de naquela hora mesmo desmascarar minha irmã, mas o combinado era em meio ao almoço de modo que Luís, Dona Ruth principalmente Senhor Afonso vissem. Estávamos almoçando quando de repente a campainha toca e me mandaram atender. Como sempre eu tenho que fazer as tarefas indesejadas pelas pessoas daquela casa e atender a porta quando era um momento inadequado e desanimante era tarefa minha. Não pude acreditar em quem era, ou melhor, porque não previ isso antes.
- Boa tarde Sophia! Senti tanto sua falta, você sabe que gosto de te surpreender e por isso nem avisei que viria.
Me lembrei de como aquele garoto era irritante e irônico e novamente ele caiu no meu conceito.
- O que você está fazendo aqui? Que eu saiba desde que você encarou meu pai com aquela proposta ridícula de namoro ao mesmo tempo me defendendo que fez meu pai te convidar a ir embora e só voltar quando fosse convidado te fizesse ficar longe daqui durante muito tempo.
- Já disse que gosto de te surpreender. Marcelo me avisou que viria almoçar aqui hoje, como a poeira já abaixou e você já saiu do seu castigo vim aqui me redimir com seu pai e deixar o clima mais agradável para nós no futuro.
Com tanta coisa que aconteceu já tinha até me esquecido que Gustavo era o melhor amigo de Marcelo. Até o final daquela tarde o conceito dele comigo já seria negativo. E em pensar que eu já estava quase o achando interessante.
- O que você está fazendo aqui? Não o convidei e pensei que não voltaria a me incomodar- Disse meu pai para Gustavo em um tom nada amigável.
- Me desculpe se te ofendi de alguma forma Senhor Afonso. Vim me redimir. Acho que começamos com o pé esquerdo. Marcelo disse que viria almoçar aqui e não resisti em vir.
Claro, porque além de ser insuportável, ele também era folgado e de quebra queria encher a barriga e fazer a festa de graça nas custas de arruinar meu plano. Deixei meu pai ali conversando com Gustavo na porta, corri para meu quarto e liguei para Júlia.
- Está tudo arruinado. Estava prestes a mostrar o que havia escrito para Marcelo e em seguida escrever algo para ele ver que Gustavo aparece do nada. Não sei mais o que faço.
- Mas essa notícia não podia ser melhor. Pensa Sophia, você estava em dúvida em que um dos dois leu o seu caderno. Agora ficou bem mais fácil de descobrir. Tenho vontade de ir até aí assistir isso tudo de camarote, mas sei que se aparecer aí seu pai vai me investigar, perguntar quem eu sou e vai atrapalhar mais ainda o andamento de tudo ainda mais que você deve estar super nervosa.
- Gostaria mesmo que você viesse até aqui, mas nesse momento acho que só iria piorar as coisas. Você sempre com essa sua animação e otimismo, vendo o lado bom de tudo. Estou nervosa mesmo. O que não faria sem você minha amiga?
Não pude demorar na ligação, pois se demorasse muito meu pai iria subir fazer o seu questionamento de sempre e eu iria ficar bem mais nervosa e seria mais difícil ter coragem para descobrir finalmente a história por trás do meu caderno. Aliás, que história maluca e improvável. Se não fosse comigo e alguém me contasse era certo de que não acreditaria e olha que penso mesmo que coisas estranhas acontecem. Quando voltei para a mesa Gustavo também estava sentado e ele parecia ter se dado bem com meu pai. Gostaria muito de saber o que ele teria inventado para fazer meu pai mudar de ideia sobre ele e até convidá-lo para almoçar. Levei uma bronca por ter saído da mesa e como presumia por pouco meu pai não iria ao meu quarto ver o que estava acontecendo.
- Largue esses cadernos Sophia. Está na hora do almoço. Lave as mãos antes que eu desista de te deixar almoçar conosco após aproveitar que a campainha tocou para ir para seu quarto.
Seria tão mais fácil se meus pais prestassem mais atenção em nós. Sim, em nós. Nesse ponto até com Luís e Letícia eles são desligados. Nunca notaram que eu sempre andei escrevendo nesse caderno desde pequena ou se notaram pensaram que era algo dividido entre eu e minha irmã já que consideram tão inútil. Se eles não vivessem tão ocupados com o trabalho e percebessem isso meu pai teria me dado razão na briga quando disse que o caderno era meu. Mas já que não era assim tinha que fazer o que me interessava e na mesma forma que disse tudo que pensava no dia da confusão comecei a dizer:
- Não vou largar meus cadernos. Pois tem algo que é preciso que saibam. Marcelo e Gustavo esse caderno nunca foi de Letícia. Não sei como aconteceu, mas sei que um de vocês o leu. Meu caderno ficou desaparecido por dias e minha irmã começou a agir com comportamento estranho desde disso, mesma época em que começou a namorar com Marcelo Não sei se já notaram, mas a minha letra não é igual à de Letícia, ou melhor, nem notaram porque se tivesse prestado atenção veriam a diferença. Minha intuição diz que foi você quem leu Marcelo e mesmo não gostando de você leia isso que acabei de escrever.
Mostrei o texto que escrevi que falava de pessoas que fingiam ser o que não são para ele. Estava super nervosa. Aquele enigma estava prestes a ser desvendado.
- Sophia não sei o que dizer, nem o que pensar de você, muito menos do que seja capaz. Já te achava perturbada, mas depois dessa vejo que você é muito mais que isso.
Quando Marcelo disse isso não consegui entender. Ele não parecia surpreso e por sinal parecia irritado com isso.
- Eu sabia que iria fazer isso. Sua irmã já havia me contado sobre sua obsessão em ser como ela. Tanto que até começou com esse novo caderno...
Eu o interrompi e como já não tinha mais nada a perder, arranquei uma folha e escrevi na sua frente tudo que eu realmente pensava dele, como achava que ele vivia numa bolha se escondendo por trauma ou algo que não sei ao certo o que é, mas fui surpreendida quando ele me interrompeu dizendo:
- Não posso acreditar que você conseguiu aprender a falsificar perfeitamente a letra da sua irmã e muito menos permitir que se refira a mim desse jeito,você nem me conhece. Isso não pode continuar assim.
Minha cara foi ao chão. Como assim? Eu falsificar a letra da minha irmã? Pensei em pegar meus cadernos antigos e os de Letícia para comprovar que de fato aquela era minha letra, mas quando nos mudamos nos livramos deles. Meus pais nunca prestaram atenção a esses detalhes e certamente ficariam do lado da minha irmã se ela falasse que minha letra era dela. Seu que é absurdo dizer isso, mas meus próprios pais não conhecem nem isso de mim. Como Marcelo disse isso não podia continuar assim. Como seria agora? Já não conseguia raciocinar e nem pensar em um modo de agir...
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012 0 comentários

Capítulo 18

Acertei em cheio. Era mesmo meu pai que havia chegado mais cedo para ter a tal conversa. Pelo menos fiquei um pouco melhor, pois pelo menos eu estava um pouco tão “importante” quanto o trabalho dele. Ele também vinha acompanhado de Letícia, pois querendo ou não aquela conversa dizia respeito a ela também. O senhor Afonso já começou a discussão bem irritado comigo por causa do meu comportamento da noite anterior me repreendendo por até uma olhada de canto de olho.

- Eu pensei muito Sophia e o seu problema é mais grave do que pensei. Não bastasse o seu péssimo desempenho escolar agora você também está se tornando rebelde e acusando sua irmã de coisas inúteis para tentar aliviar sua culpa de ter saído sem avisar e de tê-la agredido.

- Mas não é possível! Não importa o quanto eu me imponha aqui, não tenho voz só porque posso nem entrar na faculdade como Luís, não tiro notas tão boas e nem sou modelo como minha irmã. Sinto muito não poder agradar e não ser quem vocês queriam que eu fosse, mas essa é quem eu sou e vocês não irão me mudar.

- Cala essa boca agora, você não tem esse direito por aqui. Letícia me contou o outro lado da história e como você estava tentando a separar do namorado e até mesmo sabotar seu trabalho na agência. Peça desculpa a ela agora mesmo ou se arrependerá amargamente.
Eu mal podia acreditar no que estava acontecendo. Meu próprio pai não acreditava em uma palavra que eu dizia e acreditou em minha irmã em que eu fosse mesmo capaz de sabotá-la só porque ela tem mais “potencial” do que eu e paga de boazinha, meiga que nunca faz mal a ninguém.
- Não pedirei desculpas por algo que não tenho culpa. Como assim te sabotar Letícia, em que nível de desespero você chegou em?
- Me desculpe Sophia por eu ás vezes não te dar a atenção que você busca de mim e por ás vezes dar motivos para que você discuta comigo. Mas eu quero só o seu bem minha irmãzinha!
Não podia acreditar era no que minha irmã havia falado. Me pedir desculpas e dizer que estava errada e ainda por cima me chamar de irmãzinha ironicamente. É por isso que acho que ela deve largar a carreira de modelo e ser atriz o quanto antes. Agora tudo estava pior que antes, com essa falsa desculpa da minha irmã se eu continuasse com a ideia de não pedir desculpas e olhando como meu pai estava nervoso iria tudo piorar para mim. Estava com uma raiva enorme daqueles dois, só gostaria de ter alguém na família que me entendesse. Minha irmã saiu como a vítima da história e o caderno meu pai realmente acreditou que falei isso só para acusar minha irmã. Tive que me desculpar do mesmo modo falso que minha irmã, se não fizesse isso talvez nem teria chance de um dia mostrar para todos ali quem ela era realmente e só iria dificultar o meu convívio naquela casa, pois infelizmente não tenho outro lugar para morar. Júlia também me ajudaria a contar a verdade do caderno para Marcelo e creio que isso mostraria um pouco a meus pais quem ela era mesmo. Foi o pedido de desculpas mais amargo e sem vontade da minha vida.
- Me desculpa Letícia. Não tenho sido mesmo uma boa irmã para alguém tão disposta a ajudar e tão talentosa quanto você.
- Minha filha, não queria te punir sempre, mas realmente acho que já está na hora de crescer mentalmente. Vai entrar no ensino médio e espero receber um retorno seu melhor do que dos anos anteriores. Agora terei que voltar para meu trabalho e você ainda não pode sair de casa até o final de semana para pensar na conseqüência de deus atos.
Meu pai nunca teve uma conversa de verdade com a gente. O tratamento que recebemos depende desse retorno que ele espera. Como nunca achei algo que fosse boa de fato e nem vou tão bem no meu desempenho escolar sou um peso para ele e acreditar em algo que digo ou simplesmente me importar comigo de verdade é impossível a não ser que mude quem eu sou e passe a fazer algo que meu pai possa contar a todos os amigos e se orgulhar de mim. Só queria ter uma família normal em que os pais aceitassem os filhos como são, sei que não é possível concordar em tudo, mas queria ser tratada da mesma forma que meus irmãos pois desse jeito parece que há algo errado em mim.
Meu pai voltou para o escritório e já que ele não estava mais em casa, Letícia voltou a ser quem era e saiu sem avisar para onde ia. Era a oportunidade para eu também sair, mas decidi esperar até o final de semana porque não queria me encrencar e correr o risco de não sair durante as férias inteiras. Presumi que ela teria ido encontrar Marcelo. Não é possível que esse garoto seja tão burro assim em não perceber que minha irmã não é quem diz, não é possível que ela não tenha anotado nem um simples número de telefone perto dele. Fiquei pensando que talvez fosse paranóia em que ele tivesse lido o caderno, mas minha irmã já havia meio que entregado isso, minha intuição não estaria errada.
Liguei no serviço de Júlia fingindo ser uma cliente que gostaria de saber se algum lançamento havia chegado. Não queria interromper seu trabalho, mas estava mesmo precisando falar com ela.
- Júlia, aqui é a Sophia. Preciso muito falar com você, mas não posso sair até o final de semana. Meu pai veio aqui e só deu ouvidos a minha irmã. Isso tem que parar, agora quero mais que nunca contar a verdade para Marcelo, mesmo que essa não seja a verdade preciso correr esse risco.
- Esse livro que procura ainda não chegou na loja. Mas te ligo mais tarde para poder te avisar da data em que Máscaras que caem chegará em nosso estoque.
A Júlia sabia muito bem não dar manotas quando alguém estava por perto. Com certeza ela pensaria em um bom jeito de desmascarar Letícia. Mal podia esperar por isso. A tarde demorou a passar e por volta das 19:00 horas Júlia me ligou.
- Me desculpe por hoje à tarde. Meu chefe estava do meu lado. Pensei em como você pode mostrar sua letra para Marcelo. Já que só pode sair no fim de semana, use isso a seu favor. Marcelo deve ir aí almoçar no domingo não é? Então propositalmente você estará escrevendo no caderno e em seguida vai pedir para que ele leia para ver se gostou. Estarão todos perto, inclusive seus pais e sua irmã. Marcelo verá que o caderno é seu, a letra é sua e não terá dúvidas do engano. Será perfeito!
- É verdade. Mas estava pensando se de fato o Marcelo leu o caderno. Pode ter sido Gustavo e assim vou passar é vergonha.
- Acredite na sua intuição em que você diz ser forte. Tenho certeza que Letícia mostrou seu caderno para Marcelo, se aperfeiçoou em ser você e está enganando ele esse tempo todo.
- Você tem razão mesmo. E na segunda passo aí na livraria para te contar os detalhes da execução desse plano e tudo que aconteceu desde o último dia que saímos.
Estava muito ansiosa para o final de semana. Estava doida para ver a cara que todos fariam quando descobrissem a verdade principalmente a de meu pai que veria que Letícia nem é tão “verdadeira” como ele pensa.
Finalmente chegou o final de semana. Naquele domingo Marcelo almoçaria na minha casa. A campainha tocou e mesmo ele não gostando de mim e eu não indo com sua cara fiz questão de abrir a porta. Era hoje que o lançamento de “Máscaras que caem” que Júlia havia me falado no telefone ocorreria com sucesso na minha casa.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012 0 comentários

Capítulo 17

Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com freqüência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar” disse o poeta William Shakespeare que particularmente gosto muito. Essa frase entra totalmente no meu contexto atual. Estava de madrugada e abri meu antigo caderno, ou o que sobrava dele para de certa forma me reencontrar porque por mais que estivesse me sentindo bem comigo mesma por ter dito tudo que eu pensava era como se eu também precisasse me lembrar de como eu era e encontrar essa frase serviu para isso acontecer, pois muitas vezes minhas dúvidas e a insegurança de dizer totalmente o que gostaria em alguns momentos, não agir com medo da conseqüência e por isso não tentar trouxe a minha reaproximação comigo e juntamente pude perceber como já estava na hora de encerrar aquela fase e encarar esse obstáculo. O primeiro passo eu já tinha dado, por mais que tivesse sentido de fato medo de arriscar fiz o certo ao dizer tudo que disse e como a citação diz se eu não arriscar e continuasse reagindo como antes nunca conseguiria vencer. O tempo parecia ter parado, estava muito angustiada porque tudo mudaria quando amanhecesse o que eu não podia é mais uma vez por medo de arriscar voltar atrás no que eu disse e voltar a ser a garota que não tem nenhuma expectativa para o futuro e que vive as sombras dos “talentos” dos irmãos. Amanheceu, me levantei e fui para a cozinha preparar o meu café da manhã. Era bem cedo, mas Luís, Letícia e meus pais já estavam sentados a mesa. Eu pensei que quando chegasse eles começariam a discutir comigo, mas não aconteceu nada do que eu havia previsto.Quando me sentei Letícia simplesmente se levantou,em seguida meu irmão, minha mãe e meu pai que disse que não podia conversar comigo pois o trabalho era importante e ele não poderia chegar atrasado mas que conversaria comigo a noite pois já havia pensando na minha punição e que se eu ousasse sair de casa como havia feito a minha tal punição poderia ser muito mais severa. Fiquei bastante chateada ao escutar isso, seria melhor ter discutido do que ser ignorada daquele jeito. Meu pai disse que o trabalho era importante, ou seja, o emprego importava mais do que falar a respeito de algo de sua filha. Mesmo eu me impondo era como se fosse invisível, não importava o que eu fizesse. Ontem à noite com minha saída desesperada da sala, Letícia deve ter contado com mais detalhes a sua versão de injustiçada e como sempre acreditaram nela. Quanto ao caderno para que dar importância para coisa tão inútil não é mesmo? Ficaria trancada o dia inteiro pensando em como seria a noite, com certeza seria mais um diálogo cansativo em que eu não teria opinião por mais que eu falasse.Estava pensando em desistir de me expressar mais,de arriscar e até mesmo daquela Sophia mais espontânea e que gostaria de ser reconhecida pelo que era mas nesse momento de fraqueza recebi uma mensagem.Era Gustavo me perguntando como estava me sentindo e o que tinha acontecido após ele ter sido “convidado” a ir embora da minha casa. Respondi que após ele ir embora havia dito tudo o que pensava, desmascarei Letícia sobre a história do caderno em vão e que em seguida subi para o quarto deixando todos falando sozinhos na sala agravando a situação e que estava me sentindo um lixo, pois naquela casa era invisível e tudo era mais importante que eu por ali. Tinha falado demais sim, principalmente sobre a parte do caderno já que eu nem sabia se realmente Gustavo sabia, mas já tinha enviado e não teria como reverter. Também era preciso arriscar e ver aonde tudo isso ia chegar. Minha vontade de voltar a ficar quieta passou como num encanto, lembrar de como minha irmã sempre se dá bem estando errada me dava forças para tentar mudar até porque Luís sempre foi assim e sei que como eu muitas pessoas se sentem assim, mas não tem coragem para fazer a diferença. Eu teria e iria até o fim mesmo que depois tudo ficasse pior, pelo menos eu tentaria viver em um ambiente melhor mesmo desconfiando que minha família um dia pudesse mesmo entender o significado desse termo. Os minutos demoraram uma eternidade para passar até que Júlia me ligou. Ela aproveitou à hora do almoço para saber como eu estava e para dizer que havia pensado em uma ótima maneira de eu contar toda a verdade para Marcelo.

- Boa tarde Sophia!Estava muito ansiosa para te ligar, mas tive que esperar o horário do almoço para poder falar com você. A propósito a galera adorou você e já querem saber quando podemos sair de novo e tudo mais. Mas quero saber primeiro se você conversou com Gustavo e se já contou tudo de uma vez para Marcelo porque pensei em uma ótima maneira de você desmascarar Letícia.

- Nem está sendo uma boa tarde. Ontem encontrei Gustavo quando estava chegando em casa aqui perto e na nossa tentativa frustrada de conversa acabamos nos beijando e meus pais e meus irmãos e inclusive Marcelo chegaram exatamente nessa hora.Foi um barraco que só,eu me descontrolei disse tudo que pensava,contei a história do caderno e saí deixando meu pai falando sozinho.Pensei que hoje ele iria discutir comigo logo cedo mas se referiu como o trabalho como mais importante.É sempre assim,sou deixada em segundo plano, meus irmãos vem primeiro que eu e não importa o que eu faça por mais que eu esteja certa, aqui estou errada.É tão ruim que to até desistindo de modificar quem eu sou...

Disse isso quase que chorando, sei que eu podia estar mesmo fazendo drama, mas precisava desabafar e Júlia tem sido uma ótima amiga para mim e é tão boa conselheira e motivada que achei que deveria dividir isso com ela, pois sofrer sozinha era o pior que eu poderia fazer. Ela conseguia me entender, mesmo me conhecendo a tão pouco tempo diferente dos meus familiares que conheço a minha vida inteira.

- Preciso realmente de um tempo para respirar!Como assim? Está falando sério que aconteceu tudo isso depois que fomos embora? Não sei qual deve ser minha reação, apenas perguntas e mais perguntas surgem na minha cabeça. Você e o Gustavo se beijando e todo mundo viu? Teve barraco no meio da rua por causa disso e você contou toda a verdade ainda por cima com Marcelo vendo? Não poderia ter sido melhor!Queria ter visto a cara de tacho da Letícia, mas espera um pouco, como assim mudar quem você é? Porque faria isso, você não precisa mudar nada em quem é quem colocou isso na sua cabeça garota?

Júlia disse isso falando muito e desesperadamente como sempre. Me fez tantas perguntas que não sabia por qual deveria começar a responder.

- Calma! É uma longa história, o Marcelo infelizmente não vi. Eu só disse tudo que pensava e a verdade sobre o caderno depois que meus pais expulsaram Marcelo e Gustavo daqui, pois meu pai disse que conversaria com ele depois, fiquei um pouco chateada porque seria melhor ele ter descoberto tudo ali mesmo, mas depois pensei que em meio aquele clima tenso não seria a melhor forma para ele descobrir tudo. Agora não sei mesmo como falarei com ele porque estou proibida de sair de casa e não convém sair às escondidas. E sim Gustavo e eu nos beijamos de novo e ele pediu meu pai em namoro, mas a conversa é muito grande, tem que ser pessoalmente.

- Estou surpresa até agora. Quero que você me conte essa história com todos os detalhes o quanto antes. Mas e essa parte de você querer mudar quem você é?

- Ah sabe, ontem a noite estava comparando o meu caderno novo e o antigo e vi o quanto era insegura,deixava de falar as coisas que gostaria, fingia não me importar, aceitava essa indiferença em que meus pais me tratam, meus irmãos esnobes como sempre e na discussão de ontem foi como se eu me libertasse. Há muito tempo queria modificar algumas coisas em mim, não deixar de ser quem eu sou, mas melhorar algumas coisas que eu considero serem defeitos que me impedem de atingir o que realmente quero.

- E o que exatamente você quer?

Essa pergunta da Júlia me fez refletir mais ainda, eu queria era tentar algo realmente novo, viver novas experiências, era como querer descobrir o outro lado de mim. Mas para minha amiga disse apenas que queria ser mais respeitada por ali e ia até explicar um pouco melhor quando escutei alguém chegando a minha casa e por isso tive que desligar o telefone. Provavelmente seria meu pai que arranjara um jeito de sair mais cedo do trabalho importante para discutir comigo. Podia sentir que seria naquela hora que as coisas iriam ficar complicadas...






segunda-feira, 16 de janeiro de 2012 0 comentários

Capitulo 16

Quando percebi já havia falado tudo o que pensei. Estava cansada de agüentar tudo algumas vezes calada, em outras não me importando ou fingindo e em algumas horas revidar as provocações e humilhações que enfrentava, mas de fato nunca daquela intensidade que tinha falado. Me sentia aliviada,desabafar daquele jeito e dizer que algo tinha que mudar funcionou como algo que tirou todos ou maus pensamentos e negatividade pelo menos naquele instante.Como eu queria que Marcelo e Gustavo estivessem ouvido tudo que eu falei.Se principalmente Marcelo tivesse escutado tudo que disse eu não precisaria me preocupar em como contar a ele sobre a história do caderno e de como minha irmã estava sendo falsa esse tempo todo mas por outro lado fiquei até contente de ele não ter escutado, pois sabia que tinha falado tudo que era verdade mas não seria desse jeito desesperado a melhor maneira de contar isso a ele até porque ele nunca se simpatizou comigo e descobrir que eu sou a garota que escreve os textos que ele gostou achando que quem escrevia era minha irmã não seria algo muito fácil de se aceitar. Outro problema também é que não sei se realmente ele leu o caderno, apesar de minha intuição dizer que sim eu não podia ter cem por cento de certeza. Havia pensando nessa hipótese após todas as suspeitas de minha irmã que conheço muito bem e pela sua confissão na briga dizendo algo sobre o caderno impressionar alguém. Também penso que pode ser Gustavo que leu e isso até conseguiria explicar sua atração por mim, ele deve ter lido, mas algo ainda me diz que Marcelo é o que mais se aprofundou em tudo que estava escrito ali até porque eles começaram a namorar exatamente na mesma época em que constatei o desaparecimento. Após ter falado tudo aquilo nem estava prestando atenção ao mundo real, mas quando Letícia deu um berro dizendo que era tudo invenção minha acabei voltando à situação presente.
- É tudo mentira dessa garota! Como você pode me acusar assim? Você fala isso porque sempre teve inveja de mim como falou a pouco e não suporta meu namoro com Marcelo. Você mesma estragou seu caderninho ridículo e agora quer culpar a mim como sempre faz por não conseguir atingir seus objetivos. Te aconselho a parar de criar confusão por causa de um mísero local onde você escreve e comece a estudar matemática pois as aulas já estão quase voltando e o ensino médio vai ser bem pior para você querida.
- Deixa de ser dissimulada. Eu sabia que você ia falar que era invenção minha e quer saber de uma vez por todas eu cansei disso tudo, cansei da sua provocação barata dizendo que eu tenho inveja porque não sou como você e agora a pouco estava ironizando, mas que culpa eu tenho se você não consegue perceber nem isso. E quanto ao Marcelo eu nunca fui com a cara dele, só acho que ele não deve continuar sendo enganado e pensando que namora uma pessoa que de fato não existe, não passa de uma máscara sua que, aliás, você usa com todos para conseguir o que quer Letícia.
- Parem já com essa conversa paralela e inútil garotas. Disse minha mãe que pelo jeito que falou percebi que já não agüentava mais aquela conversa que haveria se tornado um diálogo de acusações sem fim.
- Escutem agora sua mãe meninas. Sophia você não tem o direito de sair de casa sem avisar aonde vai muito menos quando não está autorizada a isso. Quanto a essa história de caderno acho mesmo muita infantilidade, mas se isso for verdade mesmo, saiba que você também não tem esse direito Letícia. E sua irmã tem mesmo razão, você deve se preocupar com as aulas que estão para voltar, com suas notas que não são tão boas quanto as de...
Eu interrompi meu pai nessa parte. Demorei tanto tempo para de fato dizer tudo que pensava que não iria continuar escutando calada fingindo que não me afetava naquela altura do campeonato, também não queria ser dramática por isso resolvi ser um pouco irônica e direta.
- É disso que estou falando, não importa o que eu faça ou diga, não importa o quão errada Letícia e Luís estejam. Nessa família eu sou apenas alguém que não tem opinião, que tira notas ruins e não nasceu talentosa como eles não é mesmo?
Então pensem como quiser, eu estou totalmente errada na história porque saí sem permissão e depois inventei a história do caderno para prejudicar Letícia que afinal morro de inveja e tem razão o caderno pode ser algo inútil, mas acontece que vocês nunca entenderiam seu significado e com certeza ele é bem mais útil do que continuar essa conversa em que não existe o meu lado. Boa noite!
E saí dali mesmo com meus pais me dizendo para voltar e que a conversa não tinha acabado e me tranquei no meu quarto. Meu pai estava bastante alterado tanto que pensei que iria derrubar a porta e parti para agressão física, eu sabia também que minha atitude pioraria muito o convívio por ali e que agora não teria mais a liberdade de ir e vir como antes, mas dizer tudo que pensava me fez perceber o quanto as coisas estavam ruins e precisavam ser mudadas.Eu também precisava ter voz naquela casa e sabia que se não reagisse assim e continuasse “aceitando” tudo isso nunca iria acontecer. Antes de me mudar eu não sentia essa necessidade de mudança, chega até ser engraçado dizer isso, mas acho que ir morar naquela cidade, passar por tudo que estava passando, essa descoberta de sentimentos que nunca havia sentido me fez ver que eu podia ser outra pessoa. Não que eu quisesse mudar a Sophia que eu era e sou até hoje, na verdade só queria ser mais espontânea, enfrentar as dificuldades de uma forma diferente, me conhecer um pouco melhor. Já estava tarde e meu pai havia desistido de fato de brigar comigo naquela noite. Eu sabia que logo pela manhã muita coisa iria acontecer e aquela conversa continuar, tudo iria mudar até porque eu estava disposta a isso. Não deixaria de ser quem eu era, apesar dos meus defeitos gosto de quem sou apenas iria mostrar esse meu outro lado que estava conhecendo, me impor mais. Estava olhando ali para o meu velho caderno que gerou toda essa confusão e vendo também o novo que ainda não havia muita coisa escrita. Naquele momento percebi que o antigo representava alguém que eu já conhecia muito bem, ao contrário do novo que representava uma pessoa que ainda não conheço muito bem e que descubro um pouco a cada dia. Por isso resolvi continuar usando o novo caderno e mesmo com todos achando que continuar escrevendo ali era uma coisa inútil. Relatei todos os acontecimentos do dia, falei sobre Gustavo e Marcelo. Estranhamente além de serem melhores amigos eles estavam ligados em minha mente de alguma forma: eu não me simpatizei com os dois de cara, mas Gustavo havia sendo até uma pessoa bacana comigo e Marcelo certamente me instigava por causa de seu comportamento estranho, a aposta de Clara em que nos daríamos bem e por causa do caderno. Não queria me comportar como romântica, mas era inevitável, pelo menos esse meu lado por enquanto apenas eu conhecia apesar do medo de que mais cedo ou mais tarde mais pessoas conhecessem. Por enquanto ao olhar de meus pais e irmãos eu era a revoltada ingrata, tenho certeza, mas isso não me importava. O que importa é que mesmo com toda confusão e dificuldades que surgirão na manha seguinte eu estava finalmente me sentindo bem comigo mesma.


sexta-feira, 13 de janeiro de 2012 2 comentários

Capítulo 15

Eu e Gustavo ficamos ali envolvidos e esquecemos completamente do tempo. Só lembramos da hora quando fomos surpreendidos por Letícia,Luís,meu pai,minha mãe e Marcelo enfim todas as pessoas que não deveriam ter visto aquele momento.
Marcelo que estava indo para minha casa ver minha irmã viu Gustavo e eu nos beijando e foi logo dar o de fofoqueiro da noite e contar para Letícia. Dessa vez nem pude o culpar muito, pois ela já havia feito o seu teatro dizendo que eu havia partido para agressão “sem mais nem menos” e que não poderia sair de casa até conversar com meu pai, mas mesmo assim desrespeitei o combinado.
- O que está acontecendo aqui? Disse meu pai tão furioso como nunca havia visto antes
- Quer dizer então Sophia que você não respeita mais a própria autoridade do pai e mesmo sabendo que estava proibida de sair resolve ir mesmo assim para se encontrar as escondidas com esse moleque? Disse minha mãe com a mesma fúria que meu pai.
Não sabia o que fazer, a situação havia saído totalmente do meu controle. Tinha ficado pior do que eu imaginei que estaria quando chegasse em casa. Todos tinham que chegar exatamente na hora que eu e Gustavo estávamos nos beijando. Como da primeira vez fiquei fora de mim, não sabia explicar o que eu sentia, a única coisa que tinha certeza naquele momento é que estava mesmo disposta a contar a verdade sobre o caderno para Marcelo mesmo ele sendo um dos responsáveis pelo problema que acabara de ser criado.
- Olha como falam de mim! Por acaso não sou nenhum moleque não, o senhor não tem o direito de falar dessa forma comigo. Estou com sua filha porque estou completamente apaixonado por ela!
- Como assim? Foi o que eu gritei ao mesmo tempo com Marcelo e Letícia bem desesperada e bastante alto quando escutei isso. Não acreditei que Gustavo estava mesmo desafiando meu pai e o pior de tudo tinha acabado de dizer que estava completamente apaixonado por mim. Na minha cabeça não era para acontecer assim. Eu me encontraria com ele, diria que nosso beijo foi um erro e para esquecermos aquele dia, mas tinha feito exatamente o contrário me deixando levar por uma sensação estranha e o beijando novamente mesmo sabendo que não era o certo e que ainda por cima estava encrencada lá em casa. Meu pai quase atacou Gustavo quando ele disse isso, mas por sorte minha mãe o segurou, realmente o Sr, Afonso consegue ser bem irracional algumas vezes. A verdade é que ele estava certo, deve ser mesmo um choque encontrar a filha mais nova que estava de castigo proibida de sair de casa beijando um garoto no meio da rua sem parecer se preocupar com nada que tinha acontecido. Meu pai começou a gritar com Gustavo e comigo no meio da rua, minha mãe começou a gritar com meu pai para parar de gritar assim e resolver isso em casa, minha irmã estava gritando para chamar a atenção e Marcelo estava gritando com ela para que ela parasse de fazer escândalo. Resumindo todos gritavam e a vizinhança inteira que parecia não ter o que fazer estava chegando para ver a tal briga familiar digna de programas de televisão que falam sobre essas intrigas e que por sinal sempre terminam em barraco. Por sorte Dona Clara apareceu para salvar o nome da nossa família naquela rua. Ela conseguiu convencer o meu pai a discutir seja lá o que fosse dentro de casa, pois a rua não era lugar para aquela confusão. No fundo estava achando aquilo ali bem engraçado, acho que estava com tanto medo do dia seguinte e o que iria acontecer comigo que comecei a rir para não chorar da situação. Aliás, não sabia bem como seria o próximo dia, mas sabia que ia ter que dar um jeito de falar com Júlia para que ela me ajudasse com a ideia de contar sobre o caderno e as mentiras de Letícia para Marcelo.
Sentamos todos na sala e meu pai que agora já estava mais calmo (não estava gritando e parecia querer ouvir meu lado da história mesmo que não iria acreditar) começou  a perguntar para mim e Gustavo a quanto tempo estavam juntos ao mesmo tempo que me xingava dizendo que eu só trazia transtornos e decepção, que era péssima aluna, pegava recuperação e elogiando meus irmãos como sempre fazia. Por sorte Gustavo parecia estar mais consciente de que não poderia continuar enfrentando meu pai e começou a dizer a “verdade” ou alguma coisa que aliviasse aquela confusão para nós.
- Bom Sr Afonso primeiramente quero lhe pedir desculpas pelo meu mau comportamento de antes e queria dizer que minha intenção com sua filha são as melhores. Conheci Sophia em uma festa que a agência de minha prima e de Letícia promoveram e desde então comecei a gostar dela. Estava voltando da casa de Marcelo quando a vi voltando para casa e contra a vontade dela resolvi conversar sobre meus sentimentos e acabou acontecendo o beijo.
Gostei do jeito que ele falou e como não me culpou por aquele momento dizendo que era eu que havia insistido como fez. Isso fez com que eu ficasse mais confusa ainda sobre o que sentia por ele. Meu pai por sua vez disse que isso não justificava e que eu não poderia namorar se nem consigo ao menos tirar boas notas e escutar uma ordem para não sair de casa. Mesmo dizendo que eu era uma péssima filha fiquei feliz de meu pai dizer isso, pois realmente não tinha a intenção de começar a namorar Gustavo. Minha mãe disse que era melhor ele e Marcelo irem embora, pois agora a conversa seria familiar e que a respeito de mim e Gustavo eles teriam essa conversa em uma outra hora e meu pai disse a ele que em hipótese alguma ele poderia me procurar até segunda ordem. O garoto até concordou com meu pai, mas após o olhar que ele me lançou constatei que ele iria me procurar e que dissera aquilo só pra não piorar tudo. Eles foram embora e agora estava apenas eu, Letícia e meus pais naquela sala. Disseram a meu irmão que subisse para o seu quarto, pois aquela conversa era só nossa. Luís queria ficar e opinar (defender Letícia) e o melhor momento da noite foi meu pai se irritar com ele dizendo que ele estava se parecendo comigo desrespeitando ordens. Mesmo eu sendo o mau exemplo gostei de ouvir isso e o ver subindo com a maior raiva de mim e de tudo. Agora tudo estava sério e minha irmã já estava começando o teatro dizendo que foi agredida injustamente, mas resolvi acabar com aquilo tudo e contar a minha versão que era a verdadeira.
- Sei que não irão acreditar em mim. Afinal como posso competir com a irmã doce, inteligente, bonita e que tem um futuro brilhante pela frente não é mesmo? Mas vou dizer mesmo assim. Letícia e Luís nunca aceitaram o jeito que eu sou, a maneira que ajo porque penso bem diferente deles e meus próprios pais não reconhecem que não é sempre que eles estão certos. Mas enfim, sei que erro bastante e que posso ser exatamente o oposto que esperavam de mim, mas não posso permitir que minha irmã faça esse teatro e seja a boazinha da história. Desde pequena eu tenho caderno que escrevo tudo que penso, sinto, o que acontece de importante na minha vida já que ninguém me escuta por aqui e de repente ele é tirado de mim. Não tente me interromper Letícia porque eu continuarei dizendo. Eu sempre fui apegada ao caderno e de repente ele desaparece. Suspeitei desde inicio da minha irmã que na verdade o pegou para impressionar Marcelo que por algum motivo inexplicável leu o caderno, gostou e se apaixonou por ela. Minha irmã que sempre gosta de ser o centro das atenções se aproveitou disso e disse que o caderno era dela já que ele nem ao menos tinha nome para Marcelo e depois disso começou a me fazer perguntas sobre autores e literaturas dizendo que seria bom para sua carreira de modelo. Mas acontece que não sou tão burra quanto pensam que eu sou e eu logo percebi e resolvi investigar. Encontrei uma folha do meu caderno jogada na cesta de revistas perto do quarto de Letícia e então descobri que era ela a responsável pelo sumiço. Hoje de manhã disse a ela para contar a verdade e após resistir muito acabou assumindo que havia pegado mesmo e em seguida o devolveu em péssimo estado, todo rasgado e amassado. Ele não era novo, mas nunca o deixaria ficar daquela forma. Ver aquilo, toda ironia e frieza vindo por parte dela me fez perder totalmente os sentidos e então começou a briga que foi interrompida quando você chegou pai. E confesso que errei e saí de casa quando não deveria, peço desculpas, mas precisava muito esfriar minha cabeça, ter um momento de tranqüilidade disso tudo que está acontecendo. Pode ser que não acreditem em mim nem nada e que talvez nunca mais saia de casa sem companhia a não ser para ir para a escola, mas preciso falar isso e para completar preciso dizer que as coisas aqui precisam mudar e da minha parte vão porque cansei de viver as sombras dos meus irmãos e não ser reconhecida em nada que faço. 

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012 2 comentários

Capítulo 14

Assistimos ao filme e demos várias risadas no cinema, tanto que quase fomos expulsos. Depois como havíamos combinado fomos comer pizza e conversar mais um pouco. Aproveitei para conhecer aquelas pessoas melhor, as férias estavam na metade e parte dos amigos de Júlia inclusive ela estudariam na mesma escola que eu. Era até bom já os conhecer porque particularmente odeio primeiro dia de aula ainda mais quando sou novata. Estava me dando super bem com a Mariana ou apenas Mari como gosta de ser chamada. Ela é um ano mais velha que eu, é cantora e assim como eu adora ler, já escrever ela me garantiu que não é com ela. Também gostei bastante do Bruno que é bem engraçado e tem um estilo totalmente único. Nem foi preciso que Júlia ou alguém me contasse que o Bruno é apaixonado pela Mari. Durante todo o nosso lanche ele olhava para ela de um jeito bem diferente e era inevitável não perceber o jeito que sorria e prestava atenção quando ela dizia algo. Aliás, ele me contou que já até compôs músicas para Mariana cantar e que se tudo der certo a música que ele estava escrevendo a faria o ganhar o concurso de música que haveria na cidade aquele ano. O Matheus era um pouco tímido e nem conversamos direito, já o Lucas pelo que parece gostou bastante de me conhecer, até pediu para deixar que eu visse alguns de meus poemas algum dia. A Carol era animada e alto astral que nem a Júlia. A Karina e o André eram namorados e estavam tão ocupados em namorar que nem prestaram muita atenção no movimento do grupo. Teve gente que eu não conversei muito até porque eu não podia demorar, mas pelo pouco que conheci todos ali eram bem bacanas. Eu havia me identificado com aquele grupo, no começo pensei que ia ser chato, mas acabei me surpreendendo e até me animei para o volta às aulas. Depois de comermos a pizza percebi que já estava na hora de ir embora e Gustavo não havia me ligado nem ao menos aparecido por ali. Confesso que achei melhor que fosse assim, já estava ficando tarde e se fossemos mesmo conversar ia acabar demorando muito e com certeza alguém chegaria na minha casa primeiro que eu. Me despedi de todo mundo e disse que teria que ir embora.Júlia também disse a todos que teria que ir embora e me acompanhou.Eu sabia que a garota poderia ficar e que ela queria mesmo era conversar comigo sobre o assunto de Gustavo e me convencer que deveria mesmo contar para Marcelo sobre o caderno.
- Então Sophia o garoto que você estava tão preocupada em ver acabou não aparecendo né?
- Pois é! E ele nem me ligou nem nada, acredite estou aliviada.
- Não, mas não pode ficar assim, ele também está fugindo de você ou então está jogando com você. Por isso você vai ligar para ele agora e marcar de conversarem hoje porque isso já deveria ter acontecido no dia do beijo.
- Você ficou maluca? Meus pais devem estar quase chegando e se descobrirem que eu saí de casa é provável que nunca mais consiga sair novamente.
- Deixa de ser exagerada garota, também não é assim. Se fica tão difícil ser hoje, manda uma mensagem para ele dizendo que não vai ficar esperando ele tomar iniciativa de vir até você para conversar sobre o que precisam resolver.
- Não vou mandar é nada, eu mesma disse com ele que era melhor ele não vir até aqui e ele meio que me chantageou como sempre faz. Júlia eu sei que você é animada, encara os problemas de frente, mas eu não sou assim e as coisas não são tão fáceis como pensa que são, é você que nunca passou por nenhum problema assim e por isso fala isso.
- Você me conhece há tão pouco tempo. Não sabe nada do que eu já tive que enfrentar, mas não vou te contar hoje até porque iria demorar demais. Já fui meio parecida com você e por isso digo pare de agir assim com medo de tudo e pensando demais no que pode acontecer. Pode ser pior para você. Agora se está tão insegura espere amanhã, com certeza Gustavo irá procurar te procurar e vocês conversam e quanto ao lance do caderno, Marcelo e Letícia se puder passa amanhã lá na livraria para conversarmos melhor sobre isso.
Me despedi de Júlia e fui para casa. Adorei passar o dia na companhia daquelas pessoas, me desliguei um pouco da minha realidade e até esqueci da situação que estava vivendo por completo mas o dia havia acabado e estava anoitecendo e agora tudo parecia me preocupar até com mais intensidade.Estava muito nervosa com medo de alguém já ter chegado na minha casa mas teria que enfrentar isso caso tivesse acontecido. Quando estava próxima da minha casa encontro Gustavo que parecia estar ali de propósito justamente para falar comigo.
- O que está fazendo aqui? Perguntei para ele
- Estava esperando você chegar para conversar com você
- Não acredito que você está plantado aqui por horas me esperando só para conversarmos. Você não ligou, não deu sinal de vida e nem ao menos foi ao shopping.
- Você nem parecia estar querendo me ver e tive que sair com minha mãe por isso não fui até lá e eu não sou tão perturbado a ponto de ficar aqui esperando você passar, mesmo porque nem seria possível prever isso. Fui na casa de Marcelo e depois na sua mas seu pai disse que você não estava, te vi voltando de longe e resolvi te esperar para a gente conversar.
Nessa hora todo o pânico e desespero que eu podia sentir apareceram. Eu sabia que saindo sem avisar correria esse risco, mas duvidei que isso pudesse acontecer. Para mim chegaria a tempo de ninguém da minha família ter voltado para casa ainda. Com certeza subestimei minha irmã que sabia que eu fiquei de sair hoje e então voltou para casa mais cedo para ver se eu estava e não me encontrando avisou meu pai. Estava completamente paranóica, na verdade dessa vez a culpa não era de Letícia e sim que meu pai voltaria mais cedo do escritório hoje e eu me esqueci. Agora já não havia como voltar atrás e resolvi seguir o conselho de Júlia e Clara e ter logo de uma vez a conversa com Gustavo. Não importasse a hora que eu chegasse em casa eu já estava encrencada mesmo.
- Está certo Gustavo, vamos conversar então.
- Será que você pode me explicar o porque de ter dito que não era pra mim ter te beijado e para depois você sair correndo como fez?
- Sei lá o que me deu naquela hora sabe, aliás, acho que fiquei daquela forma porque eu gostaria que aquele momento nunca tivesse acontecido. Voltei para casa depois para conversar, mas me disseram que você havia saído nervoso e sem despedir.
- Eu saí nervoso sim porque não consegui acreditar no que havia acontecido. Eu esperei por aquele momento desde o dia que te vi pela primeira vez e você me diz que nunca queria que aquele momento houvesse existido.
- Eu não consigo entender mesmo como você pode dizer isso. Você me conheceu há tão pouco tempo e mal conviveu comigo, como pode esperar tanto assim aquele momento? Não faz sentido!
- Sei que é estranho e honestamente não sou do cara romântico que fica imaginando esses momentos, mas não sei o que aconteceu desde que te vi percebi que você não é como as outras que conheço. A maioria das garotas aqui são muito parecidas com sua irmã, mesma personalidade, tentam parecer o que não são e você Sophia é verdadeira e não esconde de ninguém quem é realmente. Não é qualquer pessoa que consegue fazer isso, até eu escondo um pouco o que penso de verdade de algumas pessoas com medo de isso me prejudicar mais tarde, mas você não é assim e sua beleza, seu jeito de ser me encanta. Só você não percebe o quanto é especial!
Ninguém nunca havia falado comigo daquela forma antes. Eu queria acreditar, mas eu não conseguia. Não gosto dessas baboseiras, mas naquele momento não sabia direito o que estava acontecendo. Eu realmente me sentia atraída por ele e agora estava admitindo para mim mesma, mas não era à hora de entrar em um relacionamento, tenho coisas mais importantes para viver esse ano do que algo chamado amor que nem acredito que seja para mim. O problema é que já estava completamente envolvida naquele sentimento, que não achava forte o suficiente para ser amor. Estava mesmo gostando de Gustavo, sabia que não era certo e que havia algo errado na história, mas ele deu um sorriso tão encantador que toda minha desconfiança sumiu e acabamos nos beijando novamente.


 
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